domingo, 4 de outubro de 2009

Faustão perdeu 19 kg em dois meses

Saiu na Veja On-Line

Dezenove quilos a menos

Faustão completou dois meses da cirurgia a que se submeteu em São Paulo. Desde então, perdeu dezenove quilos. E diz que outros quinze quilos irão evaporar nos próximos doze meses.
O apresentador submeteu-se no final de julho a uma gastrectomia vertical com interposição de íleo que tem por objetivo curar o diabetes tipo 2 e perder peso.
A técnica foi desenvolvida pelo cirurgião goiano Áureo Ludovico no início da década. Cerca de 500 pacientes já se submeteram ao procedimento.

Por Lauro Jardim em 22.09.09


Para saber como foi a minha cirurgia com Dr. Áureo desde o inicio siga abaixo:

domingo, 13 de setembro de 2009

PARTE 5 – Meio ano depois da cirurgia com Dr. Áureo Ludovico de Paula


Estes posts relatam o dia a dia, as dificuldades, a rotina e os resultados da cirurgia de transposição de íleo para cura do diabetes e da obesidade com Dr. Áureo Ludovico de Paula. Os relatos estão divididos em partes. Para saber como foi a minha cirurgia desde o inicio siga abaixo:

PARTE 1 http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/o-inicio-de-tudo.html


Meio ano depois da cirurgia

É inacreditável que já tenha se passado meio ano desde o dia da minha cirurgia com Dr. Áureo Ludovico de Paula. Esses seis meses literalmente voaram.

Muita coisa mudou desde então. Tive que estabelecer novos hábitos bem diferentes dos que tinha antes de fazer a cirurgia de interposição de Ileo.

De um modo geral a vida mudou para melhor e muito. Nenhuma crise de hipoglicemia desde então. Nada, nem o mais leve mal estar decorrente da baixa súbita da glicose no sangue. Posso dizer com convicção que estou curada dessa doença.


O meu peso baixou para adoráveis 67 Kg o que é um sonho para quem estava com 93 Kg. Agora o emagrecimento está bem mais lento (ainda bem) mas continuo a perder peso discretamente. Como sempre gostei muito de fazer caminhadas consegui emagrecer sem muita flacidez, exceto no braço onde a tal flacidez do tchauzinho atacou sem dó. Agora preciso de muita musculação e massagem para continuar a perder peso (mais 10 kg) mantendo a pele firme.

Hoje minhas porções são mínimas, quase infantis. E a melhor parte é que fico satisfeita com a comida como antes. A refeição é bem mais demorada. A comida é cortada em pedaços pequenos e tenho que comer bem lentamente. Assim, termino minhas refeições junto com os outros que se serviram de porções de tamanho normal. Não houve nenhuma mudança no prazer de comer, o que mudou foi que acabou aquela loucura por comida. Não é qualquer coisa que atrai. É comum experimentar algo que não está muito bom e abandonar no prato sem hesitação. Antes isso nunca ocorria. Bom ou ruim eu nunca deixava nada no prato.

Um exemplo é um jantar na pizzaria. Fico feliz com uma, somente uma fatia de pizza. E sem vontade de repetir. Enquanto isso, vejo os outros se servirem de 3 ou 4 fatias e isso não me incomoda em nada.

Embora haja uma recomendação de não beber álcool por um ano voltei a beber cerveja e vinho após dois meses da cirurgia. Meu truque é colocar bastante gelo na cerveja para ficar mais leve e gelada e beber pequenos goles lentamente. Assim posso ir a bares e ficar toda a noite bebendo pouco e me divertindo normalmente.

Os vômitos que me atormentaram entre 1 e 4 meses da cirurgia passaram quase por completo. São raros e bem eventuais.

Hoje enfrento ainda dois problemas decorrentes da cirurgia: a dificuldade de voltar a tomar dois litros de água por dia e um certo receio de comer salada. Os dois problemas são herança da fase dos vômitos quando desaprendi o hábito de tomar água e passei a ter receio das comidas cruas que acentuavam o efeito do mal estar.Agora que já não tenho mais vômitos tenho que reaprender os dois hábitos com urgência.

Estou também lidando com um efeito colateral da perda de peso que é a queda de cabelos. Fiz uma intensa pesquisa sobre o assunto e vi que isso não é decorrente da cirurgia e sim da dieta e da perda de peso e que deve cessar em três meses. Confirmei a informação com várias pessoas e todos foram unânimes em me assegurar que isso passa e os cabelos voltam a crescer normalmente.

Muitas pessoas me perguntam se, depois de passar por tudo o que tive que passar, eu fiquei satisfeita com os resultados e se faria a cirurgia de novo.

Com certeza faria de novo. O pós-operatório não é fácil (descrevi com detalhes nos outros posts) e o risco da cirurgia e da anestesia são reais. Mas o resultado é excelente. Meus exames de sangue demostram que estou com saude ótima e meu estado geral é muito melhor do que antes. Para quem estava com esteatose hepática e coágulo na artéria do intestino a melhora foi substancial.

Respondo a diversos e-mails de pessoas que têm muitas dúvidas se devem ou não fazer a cirurgia. Sempre respondo que cada caso é diferente. Concordo com o Faustão que não se deve fazer a apologia da cirurgia. Há que se colocar na balança diversos fatores antes de se tomar a decisão e o peso é somente um deles.

Outro fator importante é se já existem outros problemas de saude decorrentes da obesidade ou da diabetes e se já se tentou outras formas sem sucesso. Há também que se indagar se a pessoa está preparada para uma radical mudança de hábitos como as mudanças na alimentação e a quase obrigatoriedade de fazer exercícios.

A cirurgia é uma forma de obrigar a pessoa a fazer essa mudança na marra.
Pelo menos no caso da técnica do freio neuro endócrino desenvolvida pelo Dr. Áureo o fato de não sentir fome exagerada (apenas um discreto desejo de comer) facilita demais fazer a dieta.

Esse médico desenvolveu um processo diferenciado, realizado somente por ele e sua equipe, porisso mesmo ainda é experimental. Quando converso com quem fez a cirurgia tradicional vejo como no meu caso a recuperação foi mais rápida e simples e como é mais fácil manter a dieta. E por tudo isso sou muito grata a ele.

Fico triste quando vejo alguns ataques a ele na mídia, mas posso compreender que uma técnica que cura a diabetes é uma grande ameaça para os conglomerados farmaceuticos que vivem dessa doença e de suas consequências e vão fazer o que for necessário para atacá-lo.

Apesar disso, gente famosa tem recorrido a ele justamente por causa dos resultados. O Faustão foi o caso mais recente. Mas ele também operou a Athina Onassis (a grande herdeira dos Onassis, cuja fortuna é maior que a da rainha da Inglaterra), o senador Demostenes Torres e várias outras pessoas muito conhecidas.

E eu tive a felicidade de ter acesso a essa cirurgia que mudou minha vida para melhor, assim só posso dar graças a Deus todos os dias.

Na sequência, você pode ler o relato sobre o dia a dia da cirurgia divididos em partes. Para ler desde o inicio você pode começar aqui:

PARTE 1 http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/o-inicio-de-tudo.html

domingo, 9 de agosto de 2009

Veja faz referencia a Dr. Aureo Ludovico de Paula

Matéria da Veja faz referência a cirurgia do Faustão feita pelo Dr. Áureo Ludovico de Paula

Gordo, mas não obeso, Faustão encontrou no diabetes a motivação para entrar na faca. Fez a cirurgia desenvolvida pelo médico goiano Áureo Ludovico de Paula: a parte final do intestino delgado, o íleo, em que se produzem hormônios que facilitam a secreção de insulina, é reposicionada próximo ao estômago, que por sua vez é reduzido para diminuir a produção de grelina, o hormônio do apetite. "Quando o paciente é obeso, retiram-se de 30% a 40% do estômago", diz De Paula. "A diminuição de peso vem a reboque do controle da doença metabólica."

Veja 12ago2009 - pag 133

Para acompanhar o relato da minha cirurgia feita com Dr. Áureo clique aqui:

PARTE 1 http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/o-inicio-de-tudo.html

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Faustão faz cirurgia com Dr. Áureo


Fausto Silva explica que se submeteu à cirurgia para melhorar sua saúde. Ele revelou também, que fez transposição de ileo criada por um médico de Goiânia. Dr. Aureo Ludovico de Paula que propõe diminuir a pressão alta, controlar a diabetes e o excesso de peso. No link ao lado você pode ver o vídeo com as declarações do Faustão.

Na sequência, você pode ler o relato sobre o dia a dia da mesma cirurgia - que fiz este ano - as dificuldades, os resultados e a rotina da cirurgia de transposição de íleo para cura do diabetes e da obesidade, realizada com Dr. Áureo Ludovico de Paula. Os relatos da minha cirurgia estão divididos em partes. Para ler desde o inicio você pode começar aqui:


Para saber um pouco mais sobre o Dr. Áureo veja no quadro ao lado alguns links interessantes como o video ou a matéria da revista Veja, bem como o endereço e telefone da clínica em Goiânia. Ele opera também em São Paulo (no Hospital Albert Eisntein).
Não deixe de indicar no quadrinho ao lado se as informações do blog foram úteis para você. E seus comentários serão bemvindos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Resultados da cirurgia

Estes posts relatam o dia a dia, as dificuldades e a rotina da cirurgia de transposição de íleo para cura do diabetes e da obesidade. Os relatos estão divididos em partes.

Para saber como foi a minha cirurgia desde o inicio siga abaixo: PARTE 1 http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/o-inicio-de-tudo.html


PARTE 4 - RESULTADOS DA CIRURGIA

Já se passaram três meses da cirurgia - Muitas transformações, algumas boas outras ruins. Dentre as ruins um profundo desconforto com a comida em geral. Tenho muito refluxo, em particular após o almoço. Às vezes tenho enorme vontade de comer alguma coisa, mas o receio de vomitar (o que acontece frequentemente) me faz repensar se devo. Nunca vomito a comida, sempre é um liquido viscoso, parecido com uma clara de ovo.

Nem sempre consigo me livrar dela da primeira vez, assim às vezes se passa até uma hora de mal estar. Depois desaparece completamente. Nunca sinto este mal estar á noite ou pela manhã. É sempre no almoço. E mais curioso ainda, nunca em restaurantes, só em casa. Vai entender...

Nesse intervalo só sinto vontade de comer picolé e sorvete. Não sei porque. Dr. Aureo receitou alguns medicamentos que pouco ajudaram, disse que entre 90 e 120 dias isso passa. Disse ainda que eu faço parte de um pequeno grupo de 5% das pessoas operadas que têm essa reação.

De fato conversando com várias pessoas que fizeram a mesma cirurgia, ninguém tem esse problema. Fui sorteada então.

O lado bom é tenho me sentido muito bem, não sinto fraqueza nenhuma. Hipoglicemia nenhuma. Nenhuma crise nestes 90 dias. Antes da cirurgia não passava uma semana sem uma crise. Perdi 14 kg. O efeito psicologico desses kilos que foram embora é fantástico.

Reabilitei meu antigo guarda roupa. Estou com muito mais energia para o trabalho e a vida. Astral excelente. Exceto o mal estar com o almoço que me deprime um pouco, tudo melhorou. Durmo melhor, intestino funcionando perfeitamente, pele boa, deixei de sentir tanto calor, muito mais disposta para minha luta cotidiana.

Quase vida normal

Quase cinco meses se passaram. Perdi quase 20 kilos. Ainda faltam 10 kg a serem despachados. Mesmo assim, meus amigos dizem que estou tão diferente que eles mal me reconhecem.
Tive que renovar meu guarda roupa pois nada mais servia. É impressionante como a vida é melhor com 20 kg a menos. Me sinto mais ágil, mais disposta, com mais energia, durmo melhor, estou mais feliz.

O mal estar após o almoço diminuiu muito, embora ainda ocorra de vez em quando. A verdade é que tenho que comer muito devagar e em pequeninas porções. Quando isso não acontece a chance de ter náusea é grande.

Isso tem um lado bom pois está me disciplinando a me alimentar melhor. Agora aprendi que o prazer da comida cessa quando engolimos. Só sentimos o sabor dos alimentos enquanto estamos mastigando. Então porque sempre comemos tão rápido engolindo enormes quantidades de comida sem nem perceber direito o sabor?

Bem de um jeito ou de outro a cirurgia nos obriga a mudar esse hábito.
Hoje as minhas refeições são feitas de pequeninas porções e elas me deixam satisfeita. É interessante como hoje, uma só fatia de pizza me deixa cheia e sem desejo de repetir. Antes da cirurgia eu poderia devorar de 4 a 5 pedaços sem esforço.

E o mais interessante é que apesar de comer pequenas quantidades gasto o mesmo tempo que meu marido, que come muito rápido.

Hoje uma pessoa me perguntou: faria a cirurgia hoje sabendo o que voce sabe agora?
Com certeza faria de novo. Certamente minha saude é outra e me sinto melhor em diversos aspectos.

Agora também penso que a gente não deveria deixar o peso chegar a patamares tão elevados sem reagir. O certo mesmo seria ter evitado tudo isso com um controle racional de peso. Mas eu só adquiri essa consciência agora e somente graças à cirurgia...

De qualquer forma o importante é como me sinto bem agora em relação a antes da cirurgia, mesmo com os eventuais desconfortos que ainda ocorrem.

Continua na Parte 5 - Seis meses depois:

http://cirurgia2.blogspot.com/2009/09/parte-5-meio-ano-depois-da-cirurgia-com.html

segunda-feira, 23 de março de 2009

Mais informações sobre a cirurgia do diabetes e obesidade

Estes posts relatam o dia a dia, as dificuldades e a rotina da cirurgia de transposição de íleo para cura do diabetes e da obesidade. Os relatos estão divididos em partes. Para ler desde o inicio você pode começar aqui:

PARTE 1 http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/o-inicio-de-tudo.html

Para saber um pouco mais sobre o Dr. Áureo:
Revista Veja: http://veja.abril.com.br/311007/p_092.shtml
Jornal Opção http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/um-pouco-mais-sobre-dr-aureo.html

Um vídeo interessante sobre a cirurgia
http://br.truveo.com/Diabetes-Brasileiros-desenvolvem-cirurgia-in%C3%A9dita/id/4001392579


Encontrei essas informações no blog da Emilia, e estou republicando aqui, pois me pareceram bem interessantes.

O PROCEDIMENTO CIRÚRGICO É O MESMO PARA OBESIDADE E DIABETES ?

Respondendo a pergunta da Graça Miller o Dr. Luiz Queiroz, da equipe do Dr. Áureo, diz: - O procedimento é basicamente o mesmo do diabetes, o que ocorre é que a cirurgia restaura a homeostase do organismo ou seja o seu equilíbrio, a pessoa não vai comer com impulsivamente, a grelina baixando seu nível no sangue, este é o hormônio da saciedade, a pessoa não sente vontade de comer e só come o que é necessário, como pessoas normais.
- Antigamente as técnicas cirurgicas eram restritivas a pessoa emagrecia na marra, com a técnica desenvolvida pelo Dr Aureo, a pessoa emagrece feliz sem sofrimento. Não há retirada do intestino, apenas o íleo , a última porção do intestino delgado é intesposta ao jejuno. Não tem anel , pois o mecanismo de ação é fisiológico e não restritivo. Há sim grampos para suturas.
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DIFERENÇA DA CIRURGIA DE OBESIDADE PARA AS ANTIGAS
O nome da técnica do Dr Aureo é FREIO NEUROENDÓCRINO, portanto nesta técnica é retirada cerca de 20% do estômago, região onde é produzida o hormônio Grelina, responsável pela saciedade. Portanto agindo no cérebro a pessoa só come o que é necessário, no intestino então serão absorvidos todos os nutrientes e vitaminas , não sendo necessários uso de medicamentos suplementares.

No intestino é interposto uma parte do íleo ao jejuno, além do efeito incretínico no íleo e o alimento em quantidade adequada a pessoa emagrece rápido e saudável , além de não ter aquele famoso cheiro horrível das fezes, causado pela esteatorréia, muito comum em técnicas cirúrgica antigas.
INFORMAÇÕES IMPORTANTES
INFORMAÇÕES GERAIS INICIAIS –
1 - Essa cirurgia se destina a pacientes portadores de diabetes tipo 2. Os casos de Tipo I ou da criança ou infanto-juvenil ainda não são tratados por esse procedimento cirurgico.
2- Foi idealizada pelo Dr. Aureo Ludovico de Paula e é realizada aqui em Goiânia e Sãqo Paulo desde 2003.
3- Aproximadamente 95% das pessoas portadoras de Diabetes tipo 2 são candidatas. Aquelas excluídas (aproximadamente 5%), em geral possuem algum problema clínico muito grave que impede o ato anestésico-cirurgico, ou extremo de idade como problema renal avançado, pacientes em hemodiálise, com função renal abaixo de 30 ml/min.- História de acidente vascular cerebral (AVC). - História de ressecção do pâncreas por Tumor. Pancreatite crônica por álcool. - Cirrose hepática. Doença inflamatória do intestino, tipo Doença de Crohn. - Câncer em atividade, independente do local de origem. - Problema cardíaco muito grave tipo insuficiência cardíaca congestiva avançada. - Pacientes com mais de 70 anos.
4- É feita através de cirurgia laparoscópica, não havendo necessidade de cirurgia aberta, com corte. Dura em média 3 a 4 horas. Outros procedimentos podem ser feitos como: colecistectomia, hernioplastia hiatal, obesidade, etc.
5- A internação hospitalar dura em média 3 dias.
6- Não há necessidade de repouso físico.
7- É fundamental uma dieta nos primeiros 3 a 6 meses do procedimento (nutricionista) 8- É necessário a realização de uma série de exames para adequada avaliação de cada caso.
9- O índice de remissão ou controle do Diabetes 2 é de 90 - 95% dos casos.
10 - O princípio básico da cirurgia está relacionado a estimulação do Pâncreas através de hormônios do trato digestivo, próprios de cada pessoa. Nos diabéticos esses hormônios, incretinas, estão em níveis baixos. Realiza-se uma interposição ileal. É necessária ainda uma pequena redução do estômago. Essa parte da cirurgia destina-se a diminuir um hormônio (grelina) que interfere com a ação da insulina.

FREIO NEUROENDÓCRINO
É o nome da técnica cirúrgica criada pelo Dr. Áureo Ludovico de Paula. Esta cirurgia é hoje a esperança dos portadores de Diabetes II, já está sendo realizada desde 2003 com sucesso absoluto. O método consiste na interposição de segmento de íleo, que é a terceira e última parte do intestino delgado, para uma área mais próxima do estômago. Dessa forma, intensifica-se a produção das incretinas, hormônio que estimula a produção de insulina. Gastroplastia com interposição ileal (freio neuroendócrino) como opção de tratamento cirúrgico da obesidade mórbida.



Para saber como foi a minha cirurgia siga abaixo:
PARTE 1 http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/o-inicio-de-tudo.html




domingo, 22 de março de 2009

Cirurgia do Diabetes e da obesidade - volta para casa


Estes posts relatam o dia a dia, as dificuldades e a rotina da cirurgia de transposição de íleo para cura do diabetes e da obesidade. Os relatos estão divididos em partes. Para ler desde o inicio você pode começar por este post:

PARTE 1 http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/o-inicio-de-tudo.html

Para saber um pouco mais sobre o Dr. Áureo:
Revista Veja: http://veja.abril.com.br/311007/p_092.shtml
Jornal Opção http://cirurgia2.blogspot.com/2009/03/um-pouco-mais-sobre-dr-aureo.html

Um vídeo interessante sobre a cirurgia

http://br.truveo.com/Diabetes-Brasileiros-desenvolvem-cirurgia-in%C3%A9dita/id/4001392579


PARTE 3

LAR DOCE LAR

No trajeto sentia cada bacada do carro, por menor que fosse. As avenidas me pareceram intermináveis durante os 30 minutos que gastamos para chegar em casa, mesmo sem trânsito nenhum, mas na velocidade média de 25 por hora.

A visão do jardinzinho na entrada e o cheiro da casa foram uma espécie de boas vindas. Agradeci a Deus em voz alta.

A primeira missão era fazer um suco de pêssego com maçã, suficiente para no máximo duas horas, pois segundo a nutricionista, duas horas é o limite de vida dos nutrientes mais importantes. Ela havia recomendado ainda que lavasse todas as frutas com água e detergente usando uma esponja nova. Recomendou especial atenção ao lavar o coco verde.

- Você está cortada por dentro e com imunidade baixa. Não pode correr riscos à toa – reafirmou.


Coado em peneira fina e contendo uma pitada de açúcar magro, o suco me pareceu bem agradável. Eu havia trazido do hospital uns 5 pequenos copos descartáveis de 50ml, geralmente usados nos escritórios para servir cafezinho. Peguei as xícaras que tinha em casa e fui testando uma a uma até descobrir qual delas continha dois copinhos de 50 ml que enchi com água. Uma delas foi perfeita e passaria a ser a medida oficial de 100 ml.

Tentei dormir um pouco. Sem sucesso, fui para a televisão. Tinha em mente a recomendação do Ar. Áureo: não quero a sra. passando o dia na frente da tv ou do computador. É preciso se movimentar.

Desobedeci e fui assistir um filme. Entretida com o filme perdi a hora de beber o suco. De novo me veio a lembrança outra frase do Dr. Áureo: - Cumprir os horários e a quantidade da alimentação é chave. Não brinque com isso.

Peguei um timer que uso na cozinha, cadastrei 30 minutos e desde então quando ele alarmava, já dava inicio ao próximo ciclo, e assim diante. Foi a forma que achei para não perder mais os horários.

Medir a diurese é uma rotina chatíssima. Você tem que utilizar uma vasilha para coleta e depois transportar para uns plásticos com escala em ml, ver quanto deu e anotar regularmente. E naturalmente deixar tudo limpo para a próxima etapa.

Cadastrei no alarme do celular os horários dos remédios que deveria tomar. As pílulas tinham que ser dissolvidas em água. Além disso, tinha que passar uma pomada três vezes por dia nos cinco pequenos furos que ficaram na barriga. Os pontos cairiam por si sós, e a massagem com a pomada ajudaria na cicatrização e na eliminação de cicatriz. Eram cortes muito pequenos.

De acordo com meu marido minha aparência havia mudado depois que cheguei em casa. Na verdade eu havia tomado um bom banho e secado o cabelo. Mas tinha também a questão psicológica de estar de volta em casa. Recebemos a visita de um casal à noitinha. Tudo parecia de volta a normalidade.

UMA NOVA ROTINA

Dormi bem. Acordei às 4:30 da manhã já sem sono nenhum. Decidi levantar e começar a escrever os posts deste blog. Tinha que aproveitar o tempo livre pois quando voltasse a trabalhar não teria mais chance.

Era uma segunda feira. Já estava liberada para dirigir e precisava ir ao hospital para fechar o acerto da conta, pois a alta havia ocorrido no domingo e a tesouraria do hospital estava fechada. Decidi passar a manhã em casa e sair à tarde. Fiquei toda a manhã no computador redigindo, alternando entre computador e exercícios. Além das caminhadas que fiz contando voltas dentro de casa, tinha o Respiron. O timer não me deixava perder os horários.

Lá pelas onze minha secretária começou a preparar o almoço. Pela primeira vez tive contato com os cheiros da cozinha e reconheci o alho sendo refogado. Uma mistura de desejo e censura começaram a brigar dentro de mim. Respirei fundo. Lembrei-me que bastava mais um dia e teria direito a caldo de carne com legumes. O pensamento me acalmou.

Tentei dormir no inicio da tarde. Não consegui. Meu padrão de sono estava muito diferente do normal. Dormia cinco ou seis horas durante a noite e era suficiente. Sempre gostei de dormir depois do almoço e não estava conseguindo.

Essa não era a única mudança que estava percebendo. Estava muito mais sensível aos cheiros. Também estava menos encalorada. Pela primeira vez em 34 anos de convivência meu marido estava sentindo mais calor que eu.

Á tarde fui ao hospital dirigindo meu carro. As avenidas já não pareciam tão esburacadas. Fui devagar, mas nem tanto. Foi divertido ouvir a pergunta da moça: quem é o paciente? Eu, respondi. E ela olhou para mim surpreendida e deixou escapar um “nossa!”.

Levei um sapato para consertar e aproveitei o tempo para ver uma loja de bijouterias, atividade que jamais me permitiria numa segunda feira de trabalho.

Cheguei em casa ás sete da noite. Sem a ajuda do timer havia perdido vários horários de tomar o suco e a água de côco que havia levado numa lancheirinha. Também havia preparado um kit diurese contendo copos descartáveis de 200 ml como medidor e um papel para anotações.

Lembrei de um relógio digital que tinha timer e que passaria a me acompanhar sempre que eu estivesse fora de casa.

A PRIMEIRA REVISÃO

Dormi bem a noite e acordei ás 5 da manhã. Era terça feira e no final do dia deveria ir à Clinica para a primeira revisão. Durante o dia, o resultado da diurese mostrou com clareza a consequência do esquecimento do dia anterior. Antes de sair para o consultório, ás 15 hs, tinha conseguido apenas 450 ml. Em geral a essa hora já teria mais de 900 ml. Se não atingisse no final do dia os 1.500 ml seria um problema.

A boa nova do dia era que tinha direito a caldo de carne com legumes. Esperava ansiosamente pelo caldo, primeira “refeição” de sal. Detestei. Um gosto de sangue, muito forte. Minha empregada fez outro desta vez de frango. Intragável. Forcei a barra para tomar pelo menos duas medidas de 100ml. Com o paladar e o olfato muito sensíveis, o cheiro e o sabor dos caldos foi desestimulante. Como não podia usar gordura, era difícil refogar bem a carne. Decidi dar tempo a mim mesma para me readaptar com um gosto tão forte.

Mesmo assim me sentei a mesa de almoço com meu marido, pela primeira vez depois da cirurgia. Até então eu fazia questão de ficar longe da mesa nos horários em que ele estava almoçando ou jantando. Com meu caldo horroroso, consegui passar por essa prova até que sem dificuldades.

Na clínica, a revisão indicou que tudo estava normal, boa recuperação, boa cicatrização, tudo em ordem.

- Está ótima, disse Dr. Áureo. Agora cuidado com a alimentação. Tem uma parte do seu intestino perto do estômago que nunca viu nem leite materno antes da digestão. Se você for muito séria com a dieta o sucesso está garantido.

Uma das minhas queixas era que eu não havia perdido nem um kilo. Também sentia a barriga estufada, cheia, não sei.

- Você recebeu muito soro no hospital e ainda está com muito líquido no corpo. A barriga ainda está inchada por dentro e ainda há gases a expelir. Essa semana isso tudo termina - explicou Dr. Áureo.
- A minha diurese hoje está um desastre, muito pouca. E acrescentei que havia perdido os horários ontem.
- Se você obedecer corretamente os horários de hoje pode ser que haja uma compensação até amanhã de manhã. Senão terá que ir a emergência tomar dois soros de hidratação rápida. Depois de amanhã quero te ver novamente aqui na Clínica - completou Dr. Áureo.

Só de pensar em ir a emergência tomar soro minha firmeza com horários redobrou.

A SEGUNDA REVISÃO

Na quinta feira a revisão também mostrou que tudo estava em ordem. Minhas medidas de pressão e diurese diárias estavam boas, estado geral ótimo, sem dor, sem fraqueza.

Deveria voltar somente quando completasse 15 dias da alta hospitalar, em jejum absoluto de 8 horas (inclusive de água) para uma endoscopia, e trazendo exames de sangue (recebi o pedido de exame).

Estava oficialmente liberada para voltar ao trabalho e a qualquer atividade exceto ginástica e carregar peso. As caminhadas continuavam sendo obrigatórias, bem como as meias, o Respiron, a medida diária de pressão e da diurese, além de continuar com os remédios.

O medo de voltar á emergência para tomar soro não me deixava perder horários, mesmo fora de casa, com minha lancheirinha e o timer acionado.

No sábado, havia uma profunda mudança na alimentação. Não havia mais lista de alimentos. Tudo estava liberado desde que batido no liquidificador. Já podia usar um pouquinho de óleo na preparação e na lista negra, apenas pimenta, bebida gasosa e condimentos industrializados como extrato, mostarda, ketchupe, shoyo, essas coisas. Assim poderia escolher qualquer alimento desde que fosse fresco e fazer um creme usando todos os temperos que quisesse exceto os da lista negra.

No café da manhã a novidade era uma vitamina de banana com mamão e coalhada ligth. Que delícia! Agora poderia variar entre sucos, chás, iogurte, vitaminas e cremes e não precisava mais coar. Só bater. As possibilidades aumentavam enormemente.

Programei para o almoço caldo de feijão e frango ao molho com creme de milho verde, bem temperado com alho, cebola e salsa. Sentada a mesa de almoço e já mais adaptada a sabores fortes, adorei o caldo de feijão. O creme de milho e frango ficou espetacular.

No sábado à noite iriamos a uma festa de aniversário em casa de amigos e precisava levar minha própria comida. A idéia de ir a uma festa era espetacular. Ninguém sabia da cirurgia. Eu não iria fazer segredo, mas também não iria divulgar.

Fui ao salão para uma escova e escolhi uma roupa bonita. A essa altura já havia perdido cinco kilos, pois havia desinchado. Minha alegria com o novo peso era enorme!

Levei uma garrafinha com água de coco e o creme de milho com frango em um potinho de 400 ml. Na festa pedi a Lueli, nossa amiga, para aquecer no micro ondas as pequenas porções que tomava de meia em meia hora, quando o relógio apitava. Ficamos até as onze da noite e foi muito agradável.

A essa altura já havia aprendido a medir a diurese com copinhos descartáveis de 200ml que carregava na bolsa. Tudo muito simples e discreto.

Algumas pessoas me perguntaram se eu estava de óculos novo ou se havia mudado o cabelo. Eram os cinco quilos perdidos que já estavam fazendo diferença...


Continua na parte 4 - Resultados da Cirurgia - Para ler clique aqui

http://cirurgia2.blogspot.com/2009/06/estes-posts-relatam-o-dia-dia-as.html